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Socorro, são gémeos!

Socorro, são gémeos!

24
Abr20

Avós em tempo de pandemia

Oma we Missen je.jpg

 

Os meus avós foram essenciais na minha educação, no criar laços e na construção das minhas memórias. Hoje já não tenho avós e sinto falta deles todos os dias. Para alem de essenciais na educação dos netos, são essenciais na estabilidade e apoio aos pais dos seus netos.

Ao contrário do que alguns jornais portugueses dizem sobre os Países Baixos, aqui o governo implementou medidas rígidas para a tentativa de controlar a propagação do Corona Vírus, apesar de não ter declarado estado de emergência. A medida mais drástica e para mim mais triste, apesar de entender o porquê de a tomarem, foi proibir o contacto com pessoas idosas, proibição de visitas a casas de repouso.

A fotografia em cima foi tirada aqui perto de casa, uma faixa colocada pelos netos em frente à janela de uma avó que se encontra numa casa de repouso. " Oma we missen je, xxx ons." Tradução: "Avó, nós sentimos a tua falta. Abraços nossos". Aqui, desde Fevereiro e agora até final de Maio, e já se fala possivelmente até Setembro, os avós e bisavós em casas de repouso não podem ter contacto com os netos.

Ser avó em tempo de pandemia significa que te vão privar do contacto com aqueles que amas e com quem gostarias de passar os últimos anos da tua vida. Passar por esta faixa faz-me pensar na dor que vai dentro destas pessoas, sem culpa e sem poder de decisão, proíbem-nos de estar com as pessoas que amam e depois, na maioria dos casos, são os funcionários que sem querer levam o vírus para dentro das instituições.

Os meus filhos têm uma bisavó em Portugal nesta situação, não a conhecem ainda. Tentamos falar com ela dia sim e dia não, mas parte o coração, muito choro e tristeza na incerteza de quando poderemos mostrar-lhes os meninos.

Aos avós dos meus filhos em Portugal queria dizer-lhes que isto vai passar, mas não o consigo dizer. São dias de desenvolvimento dos meus filhos que eles estão a perder e que o tempo não os vai devolver.

 

10
Abr20

Abril de 2020, em plena pandemia, um quarto fechado, os gémeos e eu

IMG-20200410-WA0039.jpg

 

Início de Abril de 2020, ano em que o mundo se depara com uma pandemia, seu nome Covid-19. Encontro-me nos Países Baixos sem familia por perto, voos cancelados, fronteiras fechadas, um marido fechado no quarto com suspeitas do vírus covid e dois bébes doentinhos para tratar.

Esta sou eu, a 10 de Abril, numa casa em pantanas fechada na sala com os gémeos.

Porque não escrever num blog? Está doida a mulher, com tantas horas ainda por dormir, biberons para dar, dois choros para acalmar e colocar duas crianças para dormir. Falta ainda a roupa por lavar, a roupa por passar, a comida por fazer, as idas ao supermercado e tudo o mais necessário para viver.

Depois de um dia de consultas, vacinas, fármacia, e uma noite quase sem dormir, sozinha com os gémeos decidimos partilhar a nossa história. 

Quase quase e o isolamento do papá no quarto acaba, faltam dois dias e a nossa vida voltará aos eixos. Nós os quatro neste pedaço de 130 metros quadrados a ver o mundo a viver socialmente isolado. 

Partilhamos abraços pelas redes sociais e para nós nunca a palavra "saudade" teve tanto significado.

Não sei se vais ler a nossa história ou até se nos conheces. Mas partilhamos as nossas dificuldades, alegrias e as nossas preces.

Por hoje despedimo-nos com um abraço virtual. Pedindo-vos que, por favor, fiquem em casa.

 

 

 

 

 

Mais sobre mim

37 anos, no estrangeiro, cesariana prematura de gémeos...sobrevivi.

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