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Socorro, são gémeos!

Socorro, são gémeos!

23
Mai20

Oh não!! Sapinhos!

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Desde os primeiros dias de vida que nos debatemos com este problema, sapinhos!

Ainda na neonatologia, primeiros dias de vida, o Duarte tem o rabinho que parecia assado, pensámos que estava a fazer alergia aos toalhetes que usavam no hospital. Passámos a limpá-lo com gase e água, mas mesmo assim estava cada vez mais vermelho, ficou em ferida e começou a sangrar. Então a médica passou uma pomada antifúngica. Passaram duas semanas e não havia melhoras. Então descobriu-se que o problema estava na boca, eram sapinhos. (Sapinhos ou candidíase oral, provocado por um fungo).

"Cuidado que pode passar ao irmão" , pois....pegou! É muito difícil separar as coisas deles, são quase todas iguais.

Uma vez que é difícil esterilizar tudo em cada utilização optámos por etiquetar tudo e se possível escolher chuchas, fraldas, objectos diferentes para cada um. Nem sempre é bom os gémeos terem tudo igual. Fica a dica.

Não é fácil, ainda ontem o Tiago, sem percebermos como, estava a chuchar a chucha do irmão.

Após 4 meses os sapinhos continuam a aparecer, começa sempre pelo Duarte, que deixa de querer comer, e acaba sempre por pegar ao irmão.

Ainda há poucos dias nos livrámos de mais uns sapinhos. Por favor sapinhos, mais não.

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11
Mai20

Deverão os gémeos partilhar Berço?

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Os profissionais de saúde não aconselham o partilhar o berço por razões de segurança, havendo o risco do Síndrome de Morte Súbita, uma vez que há o risco de rebolar, aconselham berços separados desde o início. Compreensível.
Nós decidimos os nossos partilharem. Decidimos a partilha de berço porque eles iriam dormir no nosso quarto ao nosso lado. A partilha só foi possível até aos 3 meses, a partir daí deixaram de caber (sei que há à venda berços próprios para gémeos que permitem eles dormirem juntos até serem mais crescidos, mas nós não comprámos).
Pode ser impressão minha, mas enquanto dormiram juntos os sonos eram mais longos, mais tranquilos e coincidentes. Desde que dormem separados têm sonos separados, o que torna tudo mais difícil.
Colocá-los a dormir juntos tem o seu risco mas também tem momentos únicos como o que vemos na imagem em cima.
Nota: o berço nas imagens em cima era o que utilizávamos para as sestas do dia, para a noite utilizávamos outro onde os colocávamos cabeça com cabeça, é o mais aconselhado e mais seguro (imagem em baixo). No meio do berço colocamos uma almofada, para que pudessem ficar inclinados por causa do bolsar.

 

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06
Mai20

"É melhor que os seus bebés tenham uma mãe saudável e descansada, do que beber leite materno. Felizmente nos dias de hoje temos outras alternativas."

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Quando engravidamos tentamos fazer planos para tudo, mas como sempre, pelo menos para mim, corre tudo ao contrário do planeado. Amamentar, a coisa mais natural do mundo, assim como engravidar, também foi uma luta para mim. Então, naturalmente, eu escolhi amamentar os meus bebês. Antes de os meninos nascerem, pesquisei sobre amamentação de gémeos, fui a consultas com a especialista de amamentação (aqui nos Países Baixos existe essa especialidade mas não sei como se traduz).

Grande parte da minha experiência desde a conceção, gravidez e parto esteve fora do meu controlo. Eu tive que confiar nos profissionais médicos e ter fé de que as coisas iriam acabar por acontecer. Mas, uma vez que eu tinha dois bebês saudáveis ​​já cá fora nos meus braços, queria recuperar o controlo e fazer o que achava melhor para eles, amamentá-los.

Apesar da minha determinação, infelizmente, não foi exatamente como eu havia planeado. Estava em recuperação e tinha sempre uma enfermeira que me tentava ajudar na amamentação, assim como as visitas regulares da especialista da amamentação e sem sucesso. O leite não era suficiente nem para um bebé quanto mais para dois. O Tiago, que estava na incubadora com menos de 1,5kg, precisava muito de leite materno (era o melhor para o desenvolvimento dele), mas chegou uma altura que não era suficiente. 

Fiz medicação para a tentativa de maior produção. Eu tentei TUDO mas mesmo assim não foi suficiente! Não há ninguém que se sinta pior do que uma mãe, que quer dar o melhor que tem aos filhos e não consegue, mas mesmo assim havia pessoas que insistiam em achar que eu não estava a fazer o suficiente para conseguir.

Desisti no dia em que a especialista me disse: "É melhor que os seus bebés tenham uma mãe saudável e descansada, do que beber leite materno. Felizmente nos dias de hoje temos outras alternativas."

A rotina de amamentar e colocar o bebé para dormir é uma maneira de criar um vínculo com o bebé, assim permitimo-nos um ao outro desfrutar dessa tarefa, podendo o pai da mesma forma que a mãe ir criando laços com os dois. O lado positivo é que podemos ser dois a dar biberon durante a noite e que durante o dia nos permite ter também outra flexibilidade.

 

 
 
 
 
 
 
 

 

22
Abr20

Cesariana - "Um dos bebés não está a crescer!"

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No dia 27 de Dezembro de 2019 começou o nosso "isolamento social", dia em que numa ecografia a médica nos disse que um dos nossos bebés poderia não estar bem, ficámos logo internados. Decorria a semana 30 da gravidez.

Assim continua a nossa história.

Ouvi alguns comentários, antes e depois da gravidez, de mulheres que tiveram parto normal, que de certo modo desvalorizam um pouco o que uma mulher que faz uma cesariana passa. Por norma não valorizo esse tipo de comentários, pois são feitos por quem nunca passou por complicações durante a gravidez ou no Parto. Preferia que tivesse sido parto normal do que passar por tudo o que passei.

"Um dos bebés não está a crescer!" - foi o que ouvimos mais durante 3 semanas dos médicos. Um dos cordões umbilicais não estava bem.

Ficamos internados três semanas, para ver se conseguíamos aguentar até às 32 semanas. Todos os dias fazíamos três CTG e ecografias de dois em dois dias. A informação era sempre a mesma, o pequeno não crescia. Mas os CTG estavam bem, diziam os médicos, em exames que com gémeos é muito dificil de fazer, pois a meio do exame perdia-se sempre um dos batimentos cardíacos. Começámos a achar que alguma coisa não estava bem e que não iría correr bem. Chorámos.

Tivemos consultas com o pediatra da neonatologia, pois o bebé poderia precisar de ir para os cuidados intensivos, pois estava, na altura do internamento, com 900 gramas. Tudo muito assustador, mas conseguimos aguentar até às 34 semanas.

No dia 20 de Janeiro de 2020, num CTG menos bom e depois de uma ecografia onde mostrava novamente que o bebé não tinha crescido, a médica mandou-me fazer cesariana nesse mesmo dia, dando tempo do pai ir a casa buscar a mala e estar presente. Cesariana porque o bebé mais pequeno poderia entrar em sofrimento se o parto fosse normal. E foi assim que nesse dia me abriram a barriga numa sala de operações sob o efeito de epidural. Senti tudo, vi quase tudo, parecia que estava numa cena de um filme, onde os médicos falavam todos holandês (língua que infelizmente ainda não percebo), tinha um enfermeiro ao meu ouvido a explicar-me tudo em inglês e o meu marido no outro ouvido a falar Português.

Nunca me tinha sentido tão mal disposta na vida. Consegui pegar num dos bébes, o outro não foi possível, era pequeno demais precisou de assistência médica. Uma cesariana é uma cirurgia à barriga, e a recuperação é dolorosa tendo em conta que não podemos simplesmente ficar na cama a recuperar como se recupera de uma cirurgia, pois temos dois filhos para tratar, amamentar. Tiram-te a morfina pois tens de te levantar para estares com os bebés, dói mas tu levantas-te, levantas-te e choras por dentro com vergonha de chorar em frente às enfermeiras. Dóis mas são os teus filhos e por eles tudo.

Mães que tiveram vossos filhos por cesariana não se desvalorizem, é um processo doloroso e é com muitas dores que fazemos de tudo pelos nossos filhos nos primeiros dias de vida.

10
Abr20

Abril de 2020, em plena pandemia, um quarto fechado, os gémeos e eu

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Início de Abril de 2020, ano em que o mundo se depara com uma pandemia, seu nome Covid-19. Encontro-me nos Países Baixos sem familia por perto, voos cancelados, fronteiras fechadas, um marido fechado no quarto com suspeitas do vírus covid e dois bébes doentinhos para tratar.

Esta sou eu, a 10 de Abril, numa casa em pantanas fechada na sala com os gémeos.

Porque não escrever num blog? Está doida a mulher, com tantas horas ainda por dormir, biberons para dar, dois choros para acalmar e colocar duas crianças para dormir. Falta ainda a roupa por lavar, a roupa por passar, a comida por fazer, as idas ao supermercado e tudo o mais necessário para viver.

Depois de um dia de consultas, vacinas, fármacia, e uma noite quase sem dormir, sozinha com os gémeos decidimos partilhar a nossa história. 

Quase quase e o isolamento do papá no quarto acaba, faltam dois dias e a nossa vida voltará aos eixos. Nós os quatro neste pedaço de 130 metros quadrados a ver o mundo a viver socialmente isolado. 

Partilhamos abraços pelas redes sociais e para nós nunca a palavra "saudade" teve tanto significado.

Não sei se vais ler a nossa história ou até se nos conheces. Mas partilhamos as nossas dificuldades, alegrias e as nossas preces.

Por hoje despedimo-nos com um abraço virtual. Pedindo-vos que, por favor, fiquem em casa.

 

 

 

 

 

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37 anos, no estrangeiro, cesariana prematura de gémeos...sobrevivi.

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