Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Socorro, são gémeos!

Socorro, são gémeos!

26
Jun20

Ontem foi um dia de gémeos, um caos!

IMG-20200626-WA0005.jpg

Sabem quando dizes que vais ter gémeos e te respondem "Boa Sorte!" e não percebes porque te dizem isso? Ontem foi um dia daqueles, de gémeos.
Estás sozinha com eles, tudo parece estar a correr bem, um dorme e outro está sossegado ao colo. De um momento para o outro um começa a chorar, o outro acorda e depois é por aí até se renderem muitas horas depois.
Enquanto dás banho a um o outro está a chorar desalmadamente, dás um banho a correr e trocas, pensando que agora que o que tomou banho vai acalmar. Troca-se. Assim que meto o outro na banheira começa o outro a chorar desalmadamente, mais um banho apressado. Calmos depois do banho? Claro que não, o choro continua e estou sozinha. Pensas: o que será que os vizinhos vão pensar?
Hora de comer, os dois a chorar. Qual vais escolher para dar de comer primeiro? Nenhum, meti-os no carrinho e dei de comer aos dois ao mesmo tempo. Depois do banho, depois do leite vão ficar mais calmos? Ontem não, Ontem decidiram que não, ontem estávamos os três sozinhos e decidiram ser terríveis até o pai chegar. E assim foi.
A maior dificuldade de uma mãe ou pai ao ter gémeos é isto, não é possível ter braços para os dois, e quando um começa a ficar ansioso e a chorar só vai fazer com que o outro o fique também. E foi um dia de caos.

 

15
Jun20

Birras do sono misturadas com sono de periquito!

IMG-20200615-WA0003.jpg

 

Quem diria que dois seres tão pequenos e simpáticos iriam mexer com os nossos neurónios nervosos na altura de dormir? Estamos na fase da birra do sono.

Muito sono mas não querem dormir.

A parte mais difícil de ter gémeos, para mim, é quando acontece estas birras e quando são nos dois em simultâneo.

Choram, gritam, as nossas cabeças parece que vão entrar em curto-circuito. E quando finalmente adormecem e pensamos que vamos ter umas horas de sossego....afinal é o sono de periquito, como nós chamamos, sono de 15 minutos. Um acorda o outro e volta tudo ao mesmo.

Avós precisam-se urgente.

 

27
Mai20

Já somos Portugueses!

IMG_20200527_111923.jpg

Hoje, finalmente, fomos ao Consulado da Embaixada de Portugal tratar da cidadania. Faz quatro meses que nasceram e ainda não tinham nacionalidade, uma vez que ainda não podem ser Holandeses e porque até agora a Embaixada esteve fechada, por causa do confinamento.

Hoje fomos a Den Haag, conhecida dos portugueses como Haia, hoje finalmente somos oficialmente portugueses.

Porque é tão importante querer ter cidadania? É o sentido de pertencermos a um povo, a uma comunidade e, a cidadania, é reconhecida como o "direito a ter direitos".

Porque enquanto estamos em Portugal isto é tão pouco relevante, é um dado adquirido.

Deixo um texto de Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público' (10 Junho 2011)

"Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.
Eu não queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti - e foi para ti que corri, mal pude.

(...)

A tua pergunta bocejada, de país farto de ser amado, amado de mais, aborrecido com tanto amor, apesar da merda que tens feito e da maneira como nos pagas, é sempre a mesma: «Diz-me lá, então, porque é que me amas...»
Pois hoje vou-te dizer. Não me interessa nada a tua reacção. Estás a ver? Já comecei a mentir. É sinal que a minha carta de amor já começou.

Amo-te, primeiro, por não seres outro país. Amo-te por seres Portugal e estares cheio de portugueses a falar português. Não há nenhum outro país, por muito bom ou bonito, onde isso aconteça.
(...)


(Texto completo no Post anterior)

Fotos Den Haag - Haia

IMG_20200527_111444_1.jpg

IMG_20200527_105708.jpg

IMG_20200527_111529.jpg

IMG_20200527_114800.jpg

IMG_20200527_120811_1.jpg

IMG_20200527_114923.jpg

 

 

15
Mai20

Se não chegasse a loucura de mudar de país..mudámos de cidade!

IMG_20200416_175344.jpg

IMG_20200418_170219.jpg

IMG_20200508_175931.jpg

IMG_20200307_154648 (1).jpg

 

Se já não chegasse a loucura de mudar de país a meio da gravidez, entre a gravidez e o parto, mudámos de cidade. 

Veldhoven, uma cidade vizinha de Eindhoven, mais verde, mais tranquila e mais próxima do local de trabalho. 

A casa estava vazia, tivemos de a mobilar. Como devem imaginar com o barrigão sobrou tudo para o homem da casa. Graças a Deus ficou tudo pronto mesmo antes de sermos internados. 

É aqui que vamos ficar sem data de prazo para voltar. 

É aqui que vamos crescer enquanto família, que vamos chorar e dar as primeiras gargalhadas. 

Por enquanto os meninos não têm nacionalidade, até nisto a pandemia nos isolou, logo não podemos sair daqui. 

Veldhoven foi a cidade escolhida por nós para vivermos por agora e é aqui que vamos começar e reiniciar a nossa história.

06
Mai20

"É melhor que os seus bebés tenham uma mãe saudável e descansada, do que beber leite materno. Felizmente nos dias de hoje temos outras alternativas."

IMG-20200506-WA0019 (1).jpg

 

Quando engravidamos tentamos fazer planos para tudo, mas como sempre, pelo menos para mim, corre tudo ao contrário do planeado. Amamentar, a coisa mais natural do mundo, assim como engravidar, também foi uma luta para mim. Então, naturalmente, eu escolhi amamentar os meus bebês. Antes de os meninos nascerem, pesquisei sobre amamentação de gémeos, fui a consultas com a especialista de amamentação (aqui nos Países Baixos existe essa especialidade mas não sei como se traduz).

Grande parte da minha experiência desde a conceção, gravidez e parto esteve fora do meu controlo. Eu tive que confiar nos profissionais médicos e ter fé de que as coisas iriam acabar por acontecer. Mas, uma vez que eu tinha dois bebês saudáveis ​​já cá fora nos meus braços, queria recuperar o controlo e fazer o que achava melhor para eles, amamentá-los.

Apesar da minha determinação, infelizmente, não foi exatamente como eu havia planeado. Estava em recuperação e tinha sempre uma enfermeira que me tentava ajudar na amamentação, assim como as visitas regulares da especialista da amamentação e sem sucesso. O leite não era suficiente nem para um bebé quanto mais para dois. O Tiago, que estava na incubadora com menos de 1,5kg, precisava muito de leite materno (era o melhor para o desenvolvimento dele), mas chegou uma altura que não era suficiente. 

Fiz medicação para a tentativa de maior produção. Eu tentei TUDO mas mesmo assim não foi suficiente! Não há ninguém que se sinta pior do que uma mãe, que quer dar o melhor que tem aos filhos e não consegue, mas mesmo assim havia pessoas que insistiam em achar que eu não estava a fazer o suficiente para conseguir.

Desisti no dia em que a especialista me disse: "É melhor que os seus bebés tenham uma mãe saudável e descansada, do que beber leite materno. Felizmente nos dias de hoje temos outras alternativas."

A rotina de amamentar e colocar o bebé para dormir é uma maneira de criar um vínculo com o bebé, assim permitimo-nos um ao outro desfrutar dessa tarefa, podendo o pai da mesma forma que a mãe ir criando laços com os dois. O lado positivo é que podemos ser dois a dar biberon durante a noite e que durante o dia nos permite ter também outra flexibilidade.

 

 
 
 
 
 
 
 

 

02
Mai20

Quem somos nós

duarte e tiago.jpg

Escolher os nomes para os bebés para alguns pais é uma tarefa complicada. Não sei como foi convosco. Para nós foi fácil, um escolhe um nome o outro escolhe o outro.

E assim continua a nossa história.

O primeiro nome a ser escolhido foi Duarte. O nome Duarte é de origem Inglesa da variante "Edward" que significa guardião, próspero. Este foi o nome que escolhemos para o nosso bebé maior em tamanho e peso.

O segundo nome a ser escolhido foi Tiago. O nome Tiago é de origem Hebraica, é uma variação de Jacob que significa O vencedor. Este foi o nome que escolhemos para o nosso mais pequenino.

Quando escolhemos os nomes não fazíamos ideia do que iria acontecer no decorrer da gravidez. Aconteceu que o nosso Duarte, como o nome indica, foi abençoado em tamanho, desenvolveu-se bem e posteriormente foi um companheiro do irmão, acompanhando-o sempre nos piores momentos, o nosso guardião. O nosso Tiago, como o nome indica, foi um vencedor, na barriga lutou muito para conseguir crescer, quando não tinha fluxo suficiente no cordão umbilical, e continuou a lutar semanas depois na incubadora nos cuidados intermédios, hoje está forte e a crescer, o nosso vencedor.

 

 

28
Abr20

Prematuridade - um pequeno grande susto!

IMG_20200120_195523-COLLAGE.jpg

 

Como referimos anteriormente, os nossos bebés corriam o risco de nascer antes do tempo e com peso abaixo do normal. Começou assim o nosso contacto com a neonatologia. Levaram-nos a visitar uma bebé que nasceu com 700 gramas e já tinha conseguido chegar às 1000 gramas, para termos contacto com a nossa realidade.

E a nossa história continua.

Um bebé que nasça antes das 37 semanas é considerado prematuro e podem ser designados de diferentes formas: Pré-termo limiar (nascidos entre as 33 e as 36 semanas, e/ou peso ao nascimento entre os 1500 e os 2500 gramas); Prematuro moderado (nascidos entre as 28 e as 32 semanas, e/ou peso ao nascimento entre as 1000 e os 1500 gramas); Prematuro extremo (nascidos antes das 28 semanas, e/ou peso ao nascimento inferior a 1000 gramas). Estes bebés necessitam de uma atenção especial e cuidados diferentes.

Quando fui internada um dos meus bebés ainda não tinha 1000 gramas, explicaram-nos logo que, caso ele tivesse que nascer já, poderia ter de ir para os cuidados intensivos. Ficámos cheios de medo, foi um pequeno grande susto. Graças a Deus e à médica querer arriscar esperar, tudo não passou de um susto, conseguimos aguentar mais algumas semanas. Um dos bebés nasceu com 2800 gramas o outro com 1300 gramas. Foram os dois para os cuidados intensivos mas logo logo transferidos para os cuidados intermédios.

As dificuldades, em geral, de um bebé prematuro são principalmente em três áreas: controle da temperatura corporal, respiração e alimentação. Graças a Deus os meus não precisaram de ventilação nem ajuda nessa área. Precisaram sim de incubadora para ajudar na temperatura corporal e de sonda gástrica para a alimentação. O nosso pequeno teve algumas complicações, apanhou uma bactéria através dos cateteres tendo que tomar antibiótico, inclusivé não aguentava os cateteres nas mãos tendo que, assustadoramente, colocar o cateter na cabeça. Assustadoramente, também, tinha depressões cardíacas, o seu coraçãozinho ia abaixo algumas vezes. Ficámos três semanas nos cuidados intermédios, com fios e sondas agarrados.

Nesta situação a única coisa que podemos fazer é confiar nos médicos e equipa médica e esperar, orando para que Deus o ajude. Esperar sem desesperar e chorar para ajudar a aliviar.

Hoje estão bem, um ainda mais pequeno que o outro, e por incrível que pareça só o nosso maior ainda tem dificuldade na alimentação.

 

 

 

 

22
Abr20

Cesariana - "Um dos bebés não está a crescer!"

cesariana1.png

 

No dia 27 de Dezembro de 2019 começou o nosso "isolamento social", dia em que numa ecografia a médica nos disse que um dos nossos bebés poderia não estar bem, ficámos logo internados. Decorria a semana 30 da gravidez.

Assim continua a nossa história.

Ouvi alguns comentários, antes e depois da gravidez, de mulheres que tiveram parto normal, que de certo modo desvalorizam um pouco o que uma mulher que faz uma cesariana passa. Por norma não valorizo esse tipo de comentários, pois são feitos por quem nunca passou por complicações durante a gravidez ou no Parto. Preferia que tivesse sido parto normal do que passar por tudo o que passei.

"Um dos bebés não está a crescer!" - foi o que ouvimos mais durante 3 semanas dos médicos. Um dos cordões umbilicais não estava bem.

Ficamos internados três semanas, para ver se conseguíamos aguentar até às 32 semanas. Todos os dias fazíamos três CTG e ecografias de dois em dois dias. A informação era sempre a mesma, o pequeno não crescia. Mas os CTG estavam bem, diziam os médicos, em exames que com gémeos é muito dificil de fazer, pois a meio do exame perdia-se sempre um dos batimentos cardíacos. Começámos a achar que alguma coisa não estava bem e que não iría correr bem. Chorámos.

Tivemos consultas com o pediatra da neonatologia, pois o bebé poderia precisar de ir para os cuidados intensivos, pois estava, na altura do internamento, com 900 gramas. Tudo muito assustador, mas conseguimos aguentar até às 34 semanas.

No dia 20 de Janeiro de 2020, num CTG menos bom e depois de uma ecografia onde mostrava novamente que o bebé não tinha crescido, a médica mandou-me fazer cesariana nesse mesmo dia, dando tempo do pai ir a casa buscar a mala e estar presente. Cesariana porque o bebé mais pequeno poderia entrar em sofrimento se o parto fosse normal. E foi assim que nesse dia me abriram a barriga numa sala de operações sob o efeito de epidural. Senti tudo, vi quase tudo, parecia que estava numa cena de um filme, onde os médicos falavam todos holandês (língua que infelizmente ainda não percebo), tinha um enfermeiro ao meu ouvido a explicar-me tudo em inglês e o meu marido no outro ouvido a falar Português.

Nunca me tinha sentido tão mal disposta na vida. Consegui pegar num dos bébes, o outro não foi possível, era pequeno demais precisou de assistência médica. Uma cesariana é uma cirurgia à barriga, e a recuperação é dolorosa tendo em conta que não podemos simplesmente ficar na cama a recuperar como se recupera de uma cirurgia, pois temos dois filhos para tratar, amamentar. Tiram-te a morfina pois tens de te levantar para estares com os bebés, dói mas tu levantas-te, levantas-te e choras por dentro com vergonha de chorar em frente às enfermeiras. Dóis mas são os teus filhos e por eles tudo.

Mães que tiveram vossos filhos por cesariana não se desvalorizem, é um processo doloroso e é com muitas dores que fazemos de tudo pelos nossos filhos nos primeiros dias de vida.

18
Abr20

Eindhoven, terra que nos acolheu....

IMG_20200313_163851.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como referimos anteriormente, perto das vinte semanas de gravidez (4 meses) mudámos de país. 

A cidade que nos acolheu nos primeiros meses foi Eindhoven.

Eindhoven fica no sul dos Países Baixos, no chamado Barbante Norte. Não é considerada uma cidade turística, não tem canais como a famosa Amesterdão, é uma cidade tecnológica e de desenvolvimento industrial.  Desde a criação da Philips (empresa das lâmpadas) é conhecida como a "Cidade da Luz" (Lichtstad), foi a primeira a ter esta designação e não Paris. Graças à Philips a cidade cresceu e tornou-se num grande centro tecnológico, agora com outras grandes empresas.

Em termos de integração foi mais fácil do que esperávamos. Os serviços de apoio aos estrangeiros, chamados Expat, são muito bem organizados e a informação chega até nós sem nós a procurarmos. Referimos que tivemos apoio da empresa que nos chamou, o que poderá ter facilitado o processo. 

Em termos de cidade é muito organizada e supreendeu-nos pelos espaços verdes que tem. 

No que sentimos uma grande diferença em relação a Portugal é na parte da restauração. Sentimos falta de comer muito bem e em conta, o que não conseguimos aqui. Neste ponto realçamos que só há seis meses estamos aqui e desde final de Dezembro que começou a nossa restrição social (contaremos promenores depois) logo a nossa descoberta de sabores e locais ainda está muito por apurar. 

 

 

Mais sobre mim

37 anos, no estrangeiro, cesariana prematura de gémeos...sobrevivi.

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D