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Socorro, são gémeos!

Socorro, são gémeos!

28
Abr20

Prematuridade - um pequeno grande susto!

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Como referimos anteriormente, os nossos bebés corriam o risco de nascer antes do tempo e com peso abaixo do normal. Começou assim o nosso contacto com a neonatologia. Levaram-nos a visitar uma bebé que nasceu com 700 gramas e já tinha conseguido chegar às 1000 gramas, para termos contacto com a nossa realidade.

E a nossa história continua.

Um bebé que nasça antes das 37 semanas é considerado prematuro e podem ser designados de diferentes formas: Pré-termo limiar (nascidos entre as 33 e as 36 semanas, e/ou peso ao nascimento entre os 1500 e os 2500 gramas); Prematuro moderado (nascidos entre as 28 e as 32 semanas, e/ou peso ao nascimento entre as 1000 e os 1500 gramas); Prematuro extremo (nascidos antes das 28 semanas, e/ou peso ao nascimento inferior a 1000 gramas). Estes bebés necessitam de uma atenção especial e cuidados diferentes.

Quando fui internada um dos meus bebés ainda não tinha 1000 gramas, explicaram-nos logo que, caso ele tivesse que nascer já, poderia ter de ir para os cuidados intensivos. Ficámos cheios de medo, foi um pequeno grande susto. Graças a Deus e à médica querer arriscar esperar, tudo não passou de um susto, conseguimos aguentar mais algumas semanas. Um dos bebés nasceu com 2800 gramas o outro com 1300 gramas. Foram os dois para os cuidados intensivos mas logo logo transferidos para os cuidados intermédios.

As dificuldades, em geral, de um bebé prematuro são principalmente em três áreas: controle da temperatura corporal, respiração e alimentação. Graças a Deus os meus não precisaram de ventilação nem ajuda nessa área. Precisaram sim de incubadora para ajudar na temperatura corporal e de sonda gástrica para a alimentação. O nosso pequeno teve algumas complicações, apanhou uma bactéria através dos cateteres tendo que tomar antibiótico, inclusivé não aguentava os cateteres nas mãos tendo que, assustadoramente, colocar o cateter na cabeça. Assustadoramente, também, tinha depressões cardíacas, o seu coraçãozinho ia abaixo algumas vezes. Ficámos três semanas nos cuidados intermédios, com fios e sondas agarrados.

Nesta situação a única coisa que podemos fazer é confiar nos médicos e equipa médica e esperar, orando para que Deus o ajude. Esperar sem desesperar e chorar para ajudar a aliviar.

Hoje estão bem, um ainda mais pequeno que o outro, e por incrível que pareça só o nosso maior ainda tem dificuldade na alimentação.

 

 

 

 

24
Abr20

Avós em tempo de pandemia

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Os meus avós foram essenciais na minha educação, no criar laços e na construção das minhas memórias. Hoje já não tenho avós e sinto falta deles todos os dias. Para alem de essenciais na educação dos netos, são essenciais na estabilidade e apoio aos pais dos seus netos.

Ao contrário do que alguns jornais portugueses dizem sobre os Países Baixos, aqui o governo implementou medidas rígidas para a tentativa de controlar a propagação do Corona Vírus, apesar de não ter declarado estado de emergência. A medida mais drástica e para mim mais triste, apesar de entender o porquê de a tomarem, foi proibir o contacto com pessoas idosas, proibição de visitas a casas de repouso.

A fotografia em cima foi tirada aqui perto de casa, uma faixa colocada pelos netos em frente à janela de uma avó que se encontra numa casa de repouso. " Oma we missen je, xxx ons." Tradução: "Avó, nós sentimos a tua falta. Abraços nossos". Aqui, desde Fevereiro e agora até final de Maio, e já se fala possivelmente até Setembro, os avós e bisavós em casas de repouso não podem ter contacto com os netos.

Ser avó em tempo de pandemia significa que te vão privar do contacto com aqueles que amas e com quem gostarias de passar os últimos anos da tua vida. Passar por esta faixa faz-me pensar na dor que vai dentro destas pessoas, sem culpa e sem poder de decisão, proíbem-nos de estar com as pessoas que amam e depois, na maioria dos casos, são os funcionários que sem querer levam o vírus para dentro das instituições.

Os meus filhos têm uma bisavó em Portugal nesta situação, não a conhecem ainda. Tentamos falar com ela dia sim e dia não, mas parte o coração, muito choro e tristeza na incerteza de quando poderemos mostrar-lhes os meninos.

Aos avós dos meus filhos em Portugal queria dizer-lhes que isto vai passar, mas não o consigo dizer. São dias de desenvolvimento dos meus filhos que eles estão a perder e que o tempo não os vai devolver.

 

22
Abr20

Cesariana - "Um dos bebés não está a crescer!"

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No dia 27 de Dezembro de 2019 começou o nosso "isolamento social", dia em que numa ecografia a médica nos disse que um dos nossos bebés poderia não estar bem, ficámos logo internados. Decorria a semana 30 da gravidez.

Assim continua a nossa história.

Ouvi alguns comentários, antes e depois da gravidez, de mulheres que tiveram parto normal, que de certo modo desvalorizam um pouco o que uma mulher que faz uma cesariana passa. Por norma não valorizo esse tipo de comentários, pois são feitos por quem nunca passou por complicações durante a gravidez ou no Parto. Preferia que tivesse sido parto normal do que passar por tudo o que passei.

"Um dos bebés não está a crescer!" - foi o que ouvimos mais durante 3 semanas dos médicos. Um dos cordões umbilicais não estava bem.

Ficamos internados três semanas, para ver se conseguíamos aguentar até às 32 semanas. Todos os dias fazíamos três CTG e ecografias de dois em dois dias. A informação era sempre a mesma, o pequeno não crescia. Mas os CTG estavam bem, diziam os médicos, em exames que com gémeos é muito dificil de fazer, pois a meio do exame perdia-se sempre um dos batimentos cardíacos. Começámos a achar que alguma coisa não estava bem e que não iría correr bem. Chorámos.

Tivemos consultas com o pediatra da neonatologia, pois o bebé poderia precisar de ir para os cuidados intensivos, pois estava, na altura do internamento, com 900 gramas. Tudo muito assustador, mas conseguimos aguentar até às 34 semanas.

No dia 20 de Janeiro de 2020, num CTG menos bom e depois de uma ecografia onde mostrava novamente que o bebé não tinha crescido, a médica mandou-me fazer cesariana nesse mesmo dia, dando tempo do pai ir a casa buscar a mala e estar presente. Cesariana porque o bebé mais pequeno poderia entrar em sofrimento se o parto fosse normal. E foi assim que nesse dia me abriram a barriga numa sala de operações sob o efeito de epidural. Senti tudo, vi quase tudo, parecia que estava numa cena de um filme, onde os médicos falavam todos holandês (língua que infelizmente ainda não percebo), tinha um enfermeiro ao meu ouvido a explicar-me tudo em inglês e o meu marido no outro ouvido a falar Português.

Nunca me tinha sentido tão mal disposta na vida. Consegui pegar num dos bébes, o outro não foi possível, era pequeno demais precisou de assistência médica. Uma cesariana é uma cirurgia à barriga, e a recuperação é dolorosa tendo em conta que não podemos simplesmente ficar na cama a recuperar como se recupera de uma cirurgia, pois temos dois filhos para tratar, amamentar. Tiram-te a morfina pois tens de te levantar para estares com os bebés, dói mas tu levantas-te, levantas-te e choras por dentro com vergonha de chorar em frente às enfermeiras. Dóis mas são os teus filhos e por eles tudo.

Mães que tiveram vossos filhos por cesariana não se desvalorizem, é um processo doloroso e é com muitas dores que fazemos de tudo pelos nossos filhos nos primeiros dias de vida.

18
Abr20

Eindhoven, terra que nos acolheu....

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Como referimos anteriormente, perto das vinte semanas de gravidez (4 meses) mudámos de país. 

A cidade que nos acolheu nos primeiros meses foi Eindhoven.

Eindhoven fica no sul dos Países Baixos, no chamado Barbante Norte. Não é considerada uma cidade turística, não tem canais como a famosa Amesterdão, é uma cidade tecnológica e de desenvolvimento industrial.  Desde a criação da Philips (empresa das lâmpadas) é conhecida como a "Cidade da Luz" (Lichtstad), foi a primeira a ter esta designação e não Paris. Graças à Philips a cidade cresceu e tornou-se num grande centro tecnológico, agora com outras grandes empresas.

Em termos de integração foi mais fácil do que esperávamos. Os serviços de apoio aos estrangeiros, chamados Expat, são muito bem organizados e a informação chega até nós sem nós a procurarmos. Referimos que tivemos apoio da empresa que nos chamou, o que poderá ter facilitado o processo. 

Em termos de cidade é muito organizada e supreendeu-nos pelos espaços verdes que tem. 

No que sentimos uma grande diferença em relação a Portugal é na parte da restauração. Sentimos falta de comer muito bem e em conta, o que não conseguimos aqui. Neste ponto realçamos que só há seis meses estamos aqui e desde final de Dezembro que começou a nossa restrição social (contaremos promenores depois) logo a nossa descoberta de sabores e locais ainda está muito por apurar. 

 

 

15
Abr20

Estamos grávidos, vamos mudar de país! Loucura?

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E a história continua.

Na semana em que descobrimos que estávamos grávidos, recebemos uma proposta para nos mudarmos para os países baixos.

Após muita reflexão decidimos aceitar.

Ao mesmo tempo que dávamos a noticia que estávamos grávidos de gémeos, informávamos que iríamos sair do país.

Estão loucos? Muitas vezes ouvimos.

Estávamos de 20 semanas de gravidez, aproximadamente, quando nos mudámos. Procuramos de todas as formas nos informar sobre o serviço de saúde e como estar protegidos assim que chegássemos lá.

Em termos de apoio e atendimento médico tivemos melhor do que o que estavamos a espera, nós e os meninos. Fui desde inicio acompanhada por uma parteira, que me encaminhou para todos os serviços necessários. Foi considerada uma gravidez de risco e desde logo o acompanhamento todo feito no hospital.

Hoje, olhando para trás, considero que não fomos loucos de todo. Fomos até bastante ponderados e acabámos por arriscar e cometer apenas meia loucura.

Meia loucura porque deixamos para trás todo o apoio familiar que poderíamos vir a ter nesta altura.

Hoje aqui estamos, nós e os gémeos, nos arredores de Eindhoven. Estamos bem apenas com imensas saudades, que o tempo não leva e a pandemia não permite de vez a vez afogá-las.

 

 

13
Abr20

Infertilidade, porque não falar sobre isso?

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Falar sobre a dificuldade em engravidar, é extremamente dificil, frustante, para quem passa por esta dificuldade. Sinto que ainda existe pouca compreensão sobre o tema por pessoas que nunca passaram pelo mesmo, mas pode apenas ser impressão minha.

Foi assim que tudo começou.

Durante cinco anos tentámos engravidar sem sucesso, foi quando decidimos recorrer a ajuda.

Muitos eram os comentários depreciativos por termos mais de trinta anos e não termos filhos. Muitas eram as piadas logo silenciadas quando referiamos a nossa incapacidade.

Ao longo destes cinco anos, e durante todo o processo de fertilidade, foi um caminho doloroso e com alguns desapontamentos, que só nós os dois conseguiamos entender. É um processo emocionalmente esgotante, que nos fez isolar um pouco pois era dificil falar sobre o assunto. Engravidar e conceber um filho é uma situação natural e fisiológica do ser humano, mas para nós estava dificil.

Ao final de dois tratamentos sem sucesso, passados dois anos fizemos o terceiro tratamento, e último comparticipado pelo estado, conseguimos assim engravidar.

E tinhamos desta forma os nossos gémeos a caminho.

 

_____________________________________________

Mais informações sobre o apoio do estado

https://www.saudereprodutiva.dgs.pt/legislacao/infertilidade.aspx

 

 

10
Abr20

Abril de 2020, em plena pandemia, um quarto fechado, os gémeos e eu

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Início de Abril de 2020, ano em que o mundo se depara com uma pandemia, seu nome Covid-19. Encontro-me nos Países Baixos sem familia por perto, voos cancelados, fronteiras fechadas, um marido fechado no quarto com suspeitas do vírus covid e dois bébes doentinhos para tratar.

Esta sou eu, a 10 de Abril, numa casa em pantanas fechada na sala com os gémeos.

Porque não escrever num blog? Está doida a mulher, com tantas horas ainda por dormir, biberons para dar, dois choros para acalmar e colocar duas crianças para dormir. Falta ainda a roupa por lavar, a roupa por passar, a comida por fazer, as idas ao supermercado e tudo o mais necessário para viver.

Depois de um dia de consultas, vacinas, fármacia, e uma noite quase sem dormir, sozinha com os gémeos decidimos partilhar a nossa história. 

Quase quase e o isolamento do papá no quarto acaba, faltam dois dias e a nossa vida voltará aos eixos. Nós os quatro neste pedaço de 130 metros quadrados a ver o mundo a viver socialmente isolado. 

Partilhamos abraços pelas redes sociais e para nós nunca a palavra "saudade" teve tanto significado.

Não sei se vais ler a nossa história ou até se nos conheces. Mas partilhamos as nossas dificuldades, alegrias e as nossas preces.

Por hoje despedimo-nos com um abraço virtual. Pedindo-vos que, por favor, fiquem em casa.

 

 

 

 

 

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37 anos, no estrangeiro, cesariana prematura de gémeos...sobrevivi.

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