Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Socorro, são gémeos!

Socorro, são gémeos!

23
Mai20

Oh não!! Sapinhos!

IMG_20200211_104353.jpg

Desde os primeiros dias de vida que nos debatemos com este problema, sapinhos!

Ainda na neonatologia, primeiros dias de vida, o Duarte tem o rabinho que parecia assado, pensámos que estava a fazer alergia aos toalhetes que usavam no hospital. Passámos a limpá-lo com gase e água, mas mesmo assim estava cada vez mais vermelho, ficou em ferida e começou a sangrar. Então a médica passou uma pomada antifúngica. Passaram duas semanas e não havia melhoras. Então descobriu-se que o problema estava na boca, eram sapinhos. (Sapinhos ou candidíase oral, provocado por um fungo).

"Cuidado que pode passar ao irmão" , pois....pegou! É muito difícil separar as coisas deles, são quase todas iguais.

Uma vez que é difícil esterilizar tudo em cada utilização optámos por etiquetar tudo e se possível escolher chuchas, fraldas, objectos diferentes para cada um. Nem sempre é bom os gémeos terem tudo igual. Fica a dica.

Não é fácil, ainda ontem o Tiago, sem percebermos como, estava a chuchar a chucha do irmão.

Após 4 meses os sapinhos continuam a aparecer, começa sempre pelo Duarte, que deixa de querer comer, e acaba sempre por pegar ao irmão.

Ainda há poucos dias nos livrámos de mais uns sapinhos. Por favor sapinhos, mais não.

IMG-20200523-WA0023.jpg

 

 

15
Mai20

Se não chegasse a loucura de mudar de país..mudámos de cidade!

IMG_20200416_175344.jpg

IMG_20200418_170219.jpg

IMG_20200508_175931.jpg

IMG_20200307_154648 (1).jpg

 

Se já não chegasse a loucura de mudar de país a meio da gravidez, entre a gravidez e o parto, mudámos de cidade. 

Veldhoven, uma cidade vizinha de Eindhoven, mais verde, mais tranquila e mais próxima do local de trabalho. 

A casa estava vazia, tivemos de a mobilar. Como devem imaginar com o barrigão sobrou tudo para o homem da casa. Graças a Deus ficou tudo pronto mesmo antes de sermos internados. 

É aqui que vamos ficar sem data de prazo para voltar. 

É aqui que vamos crescer enquanto família, que vamos chorar e dar as primeiras gargalhadas. 

Por enquanto os meninos não têm nacionalidade, até nisto a pandemia nos isolou, logo não podemos sair daqui. 

Veldhoven foi a cidade escolhida por nós para vivermos por agora e é aqui que vamos começar e reiniciar a nossa história.

11
Mai20

Deverão os gémeos partilhar Berço?

partilha berço.jpg

 

Os profissionais de saúde não aconselham o partilhar o berço por razões de segurança, havendo o risco do Síndrome de Morte Súbita, uma vez que há o risco de rebolar, aconselham berços separados desde o início. Compreensível.
Nós decidimos os nossos partilharem. Decidimos a partilha de berço porque eles iriam dormir no nosso quarto ao nosso lado. A partilha só foi possível até aos 3 meses, a partir daí deixaram de caber (sei que há à venda berços próprios para gémeos que permitem eles dormirem juntos até serem mais crescidos, mas nós não comprámos).
Pode ser impressão minha, mas enquanto dormiram juntos os sonos eram mais longos, mais tranquilos e coincidentes. Desde que dormem separados têm sonos separados, o que torna tudo mais difícil.
Colocá-los a dormir juntos tem o seu risco mas também tem momentos únicos como o que vemos na imagem em cima.
Nota: o berço nas imagens em cima era o que utilizávamos para as sestas do dia, para a noite utilizávamos outro onde os colocávamos cabeça com cabeça, é o mais aconselhado e mais seguro (imagem em baixo). No meio do berço colocamos uma almofada, para que pudessem ficar inclinados por causa do bolsar.

 

cabeca com cabeca.jpg

 

06
Mai20

"É melhor que os seus bebés tenham uma mãe saudável e descansada, do que beber leite materno. Felizmente nos dias de hoje temos outras alternativas."

IMG-20200506-WA0019 (1).jpg

 

Quando engravidamos tentamos fazer planos para tudo, mas como sempre, pelo menos para mim, corre tudo ao contrário do planeado. Amamentar, a coisa mais natural do mundo, assim como engravidar, também foi uma luta para mim. Então, naturalmente, eu escolhi amamentar os meus bebês. Antes de os meninos nascerem, pesquisei sobre amamentação de gémeos, fui a consultas com a especialista de amamentação (aqui nos Países Baixos existe essa especialidade mas não sei como se traduz).

Grande parte da minha experiência desde a conceção, gravidez e parto esteve fora do meu controlo. Eu tive que confiar nos profissionais médicos e ter fé de que as coisas iriam acabar por acontecer. Mas, uma vez que eu tinha dois bebês saudáveis ​​já cá fora nos meus braços, queria recuperar o controlo e fazer o que achava melhor para eles, amamentá-los.

Apesar da minha determinação, infelizmente, não foi exatamente como eu havia planeado. Estava em recuperação e tinha sempre uma enfermeira que me tentava ajudar na amamentação, assim como as visitas regulares da especialista da amamentação e sem sucesso. O leite não era suficiente nem para um bebé quanto mais para dois. O Tiago, que estava na incubadora com menos de 1,5kg, precisava muito de leite materno (era o melhor para o desenvolvimento dele), mas chegou uma altura que não era suficiente. 

Fiz medicação para a tentativa de maior produção. Eu tentei TUDO mas mesmo assim não foi suficiente! Não há ninguém que se sinta pior do que uma mãe, que quer dar o melhor que tem aos filhos e não consegue, mas mesmo assim havia pessoas que insistiam em achar que eu não estava a fazer o suficiente para conseguir.

Desisti no dia em que a especialista me disse: "É melhor que os seus bebés tenham uma mãe saudável e descansada, do que beber leite materno. Felizmente nos dias de hoje temos outras alternativas."

A rotina de amamentar e colocar o bebé para dormir é uma maneira de criar um vínculo com o bebé, assim permitimo-nos um ao outro desfrutar dessa tarefa, podendo o pai da mesma forma que a mãe ir criando laços com os dois. O lado positivo é que podemos ser dois a dar biberon durante a noite e que durante o dia nos permite ter também outra flexibilidade.

 

 
 
 
 
 
 
 

 

03
Mai20

Filho é um ser que nos foi emprestado

IMG-20200503-WA0021.jpg

Hoje uma amiga minha partilhou este texto comigo e eu queria partilhar com vocês todas que são mães, (e aos pais também).

"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de agir corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo."

José Saramago                                                            

Feliz dia da mãe

02
Mai20

Quem somos nós

duarte e tiago.jpg

Escolher os nomes para os bebés para alguns pais é uma tarefa complicada. Não sei como foi convosco. Para nós foi fácil, um escolhe um nome o outro escolhe o outro.

E assim continua a nossa história.

O primeiro nome a ser escolhido foi Duarte. O nome Duarte é de origem Inglesa da variante "Edward" que significa guardião, próspero. Este foi o nome que escolhemos para o nosso bebé maior em tamanho e peso.

O segundo nome a ser escolhido foi Tiago. O nome Tiago é de origem Hebraica, é uma variação de Jacob que significa O vencedor. Este foi o nome que escolhemos para o nosso mais pequenino.

Quando escolhemos os nomes não fazíamos ideia do que iria acontecer no decorrer da gravidez. Aconteceu que o nosso Duarte, como o nome indica, foi abençoado em tamanho, desenvolveu-se bem e posteriormente foi um companheiro do irmão, acompanhando-o sempre nos piores momentos, o nosso guardião. O nosso Tiago, como o nome indica, foi um vencedor, na barriga lutou muito para conseguir crescer, quando não tinha fluxo suficiente no cordão umbilical, e continuou a lutar semanas depois na incubadora nos cuidados intermédios, hoje está forte e a crescer, o nosso vencedor.

 

 

28
Abr20

Prematuridade - um pequeno grande susto!

IMG_20200120_195523-COLLAGE.jpg

 

Como referimos anteriormente, os nossos bebés corriam o risco de nascer antes do tempo e com peso abaixo do normal. Começou assim o nosso contacto com a neonatologia. Levaram-nos a visitar uma bebé que nasceu com 700 gramas e já tinha conseguido chegar às 1000 gramas, para termos contacto com a nossa realidade.

E a nossa história continua.

Um bebé que nasça antes das 37 semanas é considerado prematuro e podem ser designados de diferentes formas: Pré-termo limiar (nascidos entre as 33 e as 36 semanas, e/ou peso ao nascimento entre os 1500 e os 2500 gramas); Prematuro moderado (nascidos entre as 28 e as 32 semanas, e/ou peso ao nascimento entre as 1000 e os 1500 gramas); Prematuro extremo (nascidos antes das 28 semanas, e/ou peso ao nascimento inferior a 1000 gramas). Estes bebés necessitam de uma atenção especial e cuidados diferentes.

Quando fui internada um dos meus bebés ainda não tinha 1000 gramas, explicaram-nos logo que, caso ele tivesse que nascer já, poderia ter de ir para os cuidados intensivos. Ficámos cheios de medo, foi um pequeno grande susto. Graças a Deus e à médica querer arriscar esperar, tudo não passou de um susto, conseguimos aguentar mais algumas semanas. Um dos bebés nasceu com 2800 gramas o outro com 1300 gramas. Foram os dois para os cuidados intensivos mas logo logo transferidos para os cuidados intermédios.

As dificuldades, em geral, de um bebé prematuro são principalmente em três áreas: controle da temperatura corporal, respiração e alimentação. Graças a Deus os meus não precisaram de ventilação nem ajuda nessa área. Precisaram sim de incubadora para ajudar na temperatura corporal e de sonda gástrica para a alimentação. O nosso pequeno teve algumas complicações, apanhou uma bactéria através dos cateteres tendo que tomar antibiótico, inclusivé não aguentava os cateteres nas mãos tendo que, assustadoramente, colocar o cateter na cabeça. Assustadoramente, também, tinha depressões cardíacas, o seu coraçãozinho ia abaixo algumas vezes. Ficámos três semanas nos cuidados intermédios, com fios e sondas agarrados.

Nesta situação a única coisa que podemos fazer é confiar nos médicos e equipa médica e esperar, orando para que Deus o ajude. Esperar sem desesperar e chorar para ajudar a aliviar.

Hoje estão bem, um ainda mais pequeno que o outro, e por incrível que pareça só o nosso maior ainda tem dificuldade na alimentação.

 

 

 

 

24
Abr20

Avós em tempo de pandemia

Oma we Missen je.jpg

 

Os meus avós foram essenciais na minha educação, no criar laços e na construção das minhas memórias. Hoje já não tenho avós e sinto falta deles todos os dias. Para alem de essenciais na educação dos netos, são essenciais na estabilidade e apoio aos pais dos seus netos.

Ao contrário do que alguns jornais portugueses dizem sobre os Países Baixos, aqui o governo implementou medidas rígidas para a tentativa de controlar a propagação do Corona Vírus, apesar de não ter declarado estado de emergência. A medida mais drástica e para mim mais triste, apesar de entender o porquê de a tomarem, foi proibir o contacto com pessoas idosas, proibição de visitas a casas de repouso.

A fotografia em cima foi tirada aqui perto de casa, uma faixa colocada pelos netos em frente à janela de uma avó que se encontra numa casa de repouso. " Oma we missen je, xxx ons." Tradução: "Avó, nós sentimos a tua falta. Abraços nossos". Aqui, desde Fevereiro e agora até final de Maio, e já se fala possivelmente até Setembro, os avós e bisavós em casas de repouso não podem ter contacto com os netos.

Ser avó em tempo de pandemia significa que te vão privar do contacto com aqueles que amas e com quem gostarias de passar os últimos anos da tua vida. Passar por esta faixa faz-me pensar na dor que vai dentro destas pessoas, sem culpa e sem poder de decisão, proíbem-nos de estar com as pessoas que amam e depois, na maioria dos casos, são os funcionários que sem querer levam o vírus para dentro das instituições.

Os meus filhos têm uma bisavó em Portugal nesta situação, não a conhecem ainda. Tentamos falar com ela dia sim e dia não, mas parte o coração, muito choro e tristeza na incerteza de quando poderemos mostrar-lhes os meninos.

Aos avós dos meus filhos em Portugal queria dizer-lhes que isto vai passar, mas não o consigo dizer. São dias de desenvolvimento dos meus filhos que eles estão a perder e que o tempo não os vai devolver.

 

22
Abr20

Cesariana - "Um dos bebés não está a crescer!"

cesariana1.png

 

No dia 27 de Dezembro de 2019 começou o nosso "isolamento social", dia em que numa ecografia a médica nos disse que um dos nossos bebés poderia não estar bem, ficámos logo internados. Decorria a semana 30 da gravidez.

Assim continua a nossa história.

Ouvi alguns comentários, antes e depois da gravidez, de mulheres que tiveram parto normal, que de certo modo desvalorizam um pouco o que uma mulher que faz uma cesariana passa. Por norma não valorizo esse tipo de comentários, pois são feitos por quem nunca passou por complicações durante a gravidez ou no Parto. Preferia que tivesse sido parto normal do que passar por tudo o que passei.

"Um dos bebés não está a crescer!" - foi o que ouvimos mais durante 3 semanas dos médicos. Um dos cordões umbilicais não estava bem.

Ficamos internados três semanas, para ver se conseguíamos aguentar até às 32 semanas. Todos os dias fazíamos três CTG e ecografias de dois em dois dias. A informação era sempre a mesma, o pequeno não crescia. Mas os CTG estavam bem, diziam os médicos, em exames que com gémeos é muito dificil de fazer, pois a meio do exame perdia-se sempre um dos batimentos cardíacos. Começámos a achar que alguma coisa não estava bem e que não iría correr bem. Chorámos.

Tivemos consultas com o pediatra da neonatologia, pois o bebé poderia precisar de ir para os cuidados intensivos, pois estava, na altura do internamento, com 900 gramas. Tudo muito assustador, mas conseguimos aguentar até às 34 semanas.

No dia 20 de Janeiro de 2020, num CTG menos bom e depois de uma ecografia onde mostrava novamente que o bebé não tinha crescido, a médica mandou-me fazer cesariana nesse mesmo dia, dando tempo do pai ir a casa buscar a mala e estar presente. Cesariana porque o bebé mais pequeno poderia entrar em sofrimento se o parto fosse normal. E foi assim que nesse dia me abriram a barriga numa sala de operações sob o efeito de epidural. Senti tudo, vi quase tudo, parecia que estava numa cena de um filme, onde os médicos falavam todos holandês (língua que infelizmente ainda não percebo), tinha um enfermeiro ao meu ouvido a explicar-me tudo em inglês e o meu marido no outro ouvido a falar Português.

Nunca me tinha sentido tão mal disposta na vida. Consegui pegar num dos bébes, o outro não foi possível, era pequeno demais precisou de assistência médica. Uma cesariana é uma cirurgia à barriga, e a recuperação é dolorosa tendo em conta que não podemos simplesmente ficar na cama a recuperar como se recupera de uma cirurgia, pois temos dois filhos para tratar, amamentar. Tiram-te a morfina pois tens de te levantar para estares com os bebés, dói mas tu levantas-te, levantas-te e choras por dentro com vergonha de chorar em frente às enfermeiras. Dóis mas são os teus filhos e por eles tudo.

Mães que tiveram vossos filhos por cesariana não se desvalorizem, é um processo doloroso e é com muitas dores que fazemos de tudo pelos nossos filhos nos primeiros dias de vida.

Mais sobre mim

37 anos, no estrangeiro, cesariana prematura de gémeos...sobrevivi.

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D